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blogue editado por José Marques Mendes e Luís Luz

9 de abril de 2017

Eu é que sou o dono… | Nuno Borges

Já todos sabemos que o tecido empresarial português é constituído, na sua grande maioria, por pequenas e médias empresas, de cariz familiar, criando um entrave à competitividade da economia nacional.

Torna-se então fulcral que essas empresas cresçam de forma a ganharem competências e escala.

O crescimento pode dar-se de forma orgânica, ou seja, através de um aumento do mercado ou um aumento da nossa quota no mercado existente.

Esta “opção” pode ser muito difícil para as empresas mais pequenas, pois não estão munidas da competência, know-how, nem têm apetência ao risco ou capacidade de arriscar, o que as impede de tentar subir na “escada da competitividade”.

Acontece, ainda, que nos últimos anos temos assistido ao aumento de obrigações administrativas que oneram de forma mais pesada as pequenas empresas familiares; por exemplo, a obrigatoriedade de um sistema de faturação eletrónica ou a comunicação eletrónica das guias de remessa.

No entanto, os empresários podem optar por outra via no crescimento. Podem “juntar-se” com outro negócio para assim ganharem escala. Esse compromisso pode apresentar-se de diversas formas, tais como centrais de compras, associações de produtores, parcerias, contudo cada empresa continua a pensar e a estabelecer-se independente de outras.
Assim, a concertação de negócios, ou seja, uma fusão, seria o passo ideal para o aumento da competência, know-how, estabilidade económica e aumento da capacidade para arriscar. Arriscar em inovação e desenvolvimento, novos produtos, novos mercado, …

Embora uma fusão seja um “casamento”, onde é exigido que se encontre o parceiro ideal, parece que a principal razão para que não existam mais “casamentos” empresariais, não seja a falta do parceiro ideal, mas uma questão de cultura nacional, traduzido no “Eu é que sou o dono disto”, no sentimento de posse.

De facto, quando se passa a ter um sócio, deixa-se de ser o “dono”, já que não existe a liberdade de decidir tudo sozinho, deixa de ser possível que a empresa suporte a carro do filho ou filha!!!

Numa sociedade, é normal a prestação de contas ao nosso sócio e esse passo pode não ser fácil para quem sempre decidiu/mandou sozinho.

Claro que uma sociedade traz desafios, dificuldades, tal como um casamento e a sua manutenção dá trabalho, mas espera-se que a viagem em equipa seja mais entusiasmante do que se efetuada sozinho!

 Nuno Borges