blogue editado

blogue editado por José Marques Mendes e Luís Luz

5 de outubro de 2015

Arquivo vivo | Ser capaz de decidir | Joaquim Romão

Ao sermos abordados para darmos a nossa opinião a respeito de um assunto, tendemos a analisá-lo do nosso ponto de vista, de acordo com as nossas crenças e critérios de decisão. Se essa nossa opinião influenciar a decisão da outra pessoa, tendemos a justificar e defender uma conclusão de acordo com as nossas sensibilidades ou interesses pessoais, mesmo que o façamos com a melhor das intenções.

Contudo, esses conselhos geralmente não são os mais corretos, ou os que melhor ajudam a quem nos pede ajuda. Há questões sensíveis, «merecendo uma resposta que oriente mas sem influenciar na decisão final».

«Não tenho a pretensão de dizer qual das opções está mais correcta. O que julgo ser realmente importante é que, desde cedo, se seja capaz de decidir e planear o que queremos para nós e ter a coragem de seguir com o plano.
Ter a capacidade para Liderar o nosso destino.
Isso sim, marcará certamente o profissional, a mulher ou o homem que seremos.»

Vale a pena (re)ler o texto original: clique aqui.

Luís Luz

20 de setembro de 2015

Há quem queira | Rodrigo Ferrão

Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar


*Jorge Palma


Hoje, dia 12 de Setembro, vi uma reportagem na SIC Notícias sobre jovens que saíram de Portugal para ter uma oportunidade. A peça percorria a vida de várias pessoas, uma espécie de viagem pelas suas ambições e sonhos. Mas também os porquês, as comunicações à distância e o sentimento guardado na significância da palavra saudade.


Havia alguma raiva escondida nas emoções contidas dos entrevistados. Queixaram-se da falta de oportunidades, lamentaram o facto do Estado português investir em quadros que depois não utiliza. Mas há ali um argumento que me prendeu ao sofá e me fez reflectir na minha vida profissional (sempre passada em Portugal), na experiência que levo e retenho ao percorrer 6 equipas diferentes nestes últimos 8 anos. E faz muito sentido esta observação. Diz, a certa altura, um entrevistado, qualquer coisa assim: “Aqui, se comunicamos a nossa vontade de sair, o nosso chefe (se gostar de nós) vai tentar dar-nos mais para nos segurar. Em Portugal diriam que têm muitos currículos em cima da mesa e que há quem queira o nosso lugar.”


Não vou tentar especular se somos um povo pouco ambicioso dentro de portas, se vivemos agarrados à fixação dos lucros ou se não temos dinheiro para sequer mandar cantar um cego. O que pretendo pensar é na vida profissional que levei, sobretudo como enquadrar as ambições e futuro nesta visão tão pessimista do “quem queira”, expressão que já escutei tantas vezes durante o meu percurso.


Apesar de elogiarem a nossa criatividade, a nossa capacidade para trazer soluções para a mesa, o nosso sacrifício e entrega, a verdade é que a carreira dos jovens que se destacam dos demais, fica assim num pântano à espera que algo aconteça. Mas não se iludam, os anos passam e continua o renovar de elogios. Talvez com a subtileza de serem diferentes a cada ano, para não parecer mal.


Tudo isto é muito bonito até ao dia em que o verniz estala. E lá sai um “há quem queira”. E isso, infelizmente, é verdade. Porque há quem, no meio da precariedade, receba menos ou tenha a sua vida mergulhada em horários impraticáveis. O problema é que a repetição desta ideia mina a confiança de qualquer pessoa minimamente ambiciosa.


Num país de salários baixíssimos, de estágios não remunerados, da não existência de pagamento de qualquer hora extra, de uma grande franja de jovens com frequência superior que nem mil euristas são; não se entende como é que há superiores hierárquicos (e até colegas) que usam e abusam desta verdade absoluta.


Isto ao mesmo tempo que se continua a reservar a táctica do elogio gratuito, porque essa parece ser a forma mais fácil e evidente de ir mantendo os funcionários entretidos. Premiar os melhores pode parecer muito mau aos olhos dos outros. E assim se passam anos, e assim as empresas discutem egos e sensibilidades… em vez de perceber como podem crescer em equipas sólidas, onde cada um sabe exactamente o que fazer para a empresa evoluir com os funcionários que tem.


Se os portugueses dão cartas lá fora, não é de pensar um pouco? O que é que as empresas fazem para premiar os seus melhores talentos? Num mundo global faz sentido continuarmos mal dispostos e enterrados nos “há quem queira”?


Parece-me evidente que não.

Reflicto na letra do Palma e concluo: Ai, Portugal, Portugal / Enquanto ficares à espera / Ninguém te pode ajudar. E lá vai a caravana a passar, cheia de talentosos portugueses a desaparecer num mundo global, por sítios onde fazer a diferença faz sentido. Nós por cá, continuaremos à espera que o nevoeiro levante, pode ser que surja um rei desaparecido e nos salve.




13 de setembro de 2015

Ser vs. parecer

Desde tenra idade, recordo-me da preocupação com que os meus avós me incutiam a importância de uma pessoa ser íntegra, respeitadora e respeitada. Valores como a honra da palavra dada ou a conduta individual eram vistos como inalienáveis, mesmo que por vezes estes fossem contra um interesse momentâneo ou distinto da aprovação de um grupo em que estivéssemos inseridos. No fundo, a mensagem transmitida era a de privilegiarmos o seguimento dos princípios que damos como corretos, mesmo que por vezes estes comportamentos não fossem os esperados por outros. O importante é o ser...

Com o tempo, aprendi que é igualmente importante transmitirmos aquilo que somos (enquanto pessoa, empresa, comunidade, …), para podermos ser valorizados. Em termos empresariais, devemos até entregar aos nossos clientes ligeiramente mais do que aquilo que prometemos, para gerarmos satisfação superior à esperada. Ou seja, não basta ser, também é preciso parecer...

Hoje, a realidade sentida é a oposta: o mundo leva ao limite o conceito de que “a perceção é a realidade”. Tratando o tema com moderação, sabemos que em termos industriais/comerciais é relevante a qualidade percebida, que deve ser trabalhada; mas a qualidade intrínseca deve corresponder à mensagem que se passa, sob pena de estarmos a dar «tiros nos pés». Não podemos é criar ilusões que não têm a menor aderência à realidade, pois o tempo encarregar-se-á de ripostar com desilusão e prejuízo. Empresários ou profissionais que passam brilhantes imagens do que poderão fazer com facilidade, mas nunca entregam em conformidade (o mesmo nas relações pessoais); os sound bites, muito em voga na imprensa e redes sociais, deixaram de resumir a mensagem do emissor para transmitir aquilo que o editor acha que deve ser entendido. Ou seja, basta parecer...


Como…?!? Hummm… Esta não é seguramente uma forma inteligente de evolução, mas antes um «salve-se quem puder» que não resultará, a prazo, numa sociedade mais sã e vitoriosa.

Luís Luz

6 de setembro de 2015

Arquivo vivo | Bati no fundo

A mudança da realidade leva a várias mudanças de paradigmas e, mais do que contrariá-la ou ignorá-la, devemos analisá-la de forma crítica. A velocidade do dia a dia, a constante competição e as mensagens sobre a atualidade com que somos "inundados", por vezes não nos permitem ter o distanciamento necessário para nos questionarmos a nós próprios.

Analisar as situações sob outro prisma (colocando-nos por vezes na posição "do outro"), relativizando ou definindo prioridades acerca do que queremos construir para nós próprios e para os que nos rodeiam, permite-nos ultrapassar um certo sentimento de impotência ou desânimo.

«O que vi nos outros, no seu caminho para a desgraça, foi uma aprendizagem. Aprendi a respeitar a vida e o que ela nos proporciona. Só damos efectivamente valor a uma coisa quando a perdemos. Há o sentimento de que se a temos é como um direito. Não podemos pensar assim. Esse tempo já lá vai e se calhar nunca foi correcto pensar assim, quer para as questões materiais quer para as emocionais e relacionais.

Respeitando a vida na sua plenitude, isto é, nos dinheiros, nas pessoas e nos comportamentos, é fundamental que tenhamos duas orientações estratégicas:
- Valorizar o que temos. Tomar consciência do nível conseguido. Boa. Feel it!!!
- Ambicionar criar. Querer ir a mais. Querer colocar outra pedra sobre a pedra. Great!!!»

Vale a pena (re)ler o texto original: clique aqui.

Luís Luz

23 de agosto de 2015

A empresa familiar possui líderes carismáticos | António Nogueira da Costa

Uma característica muito comum aos negócios familiares é a denominação da sociedade incluir o nome do fundador, da família ou apelido pelo qual são normalmente reconhecidos.
Esta particularidade não é de todo inócua. Pelo contrário, acaba por ser um elemento diferenciador e, muitas vezes, uma vantagem comparativa. De forma mais ou menos consciente, os principais stakeholders deste tipo de organização assumem que, nos seus relacionamentos profissionais, se for necessário existe uma pessoa (“dono”) a quem se podem e dirigir e com a qual podem reunir, para solucionar qualquer tipo de potencial diferendo.
Este nível de “conforto” não é comum noutro tipo entidades, onde os principais gestores mudam com regularidade, não são detentores de parte do capital, não reúnem capacidade individual de decisão vinculativa, etc. 
Os inquiridos num estudo da Egon Zehnder reconheceram esta particularidade, podendo-se salientar dois aspetos inerentes a envolventes culturais: a maior pontuação foi obtida na região da Ásia, sociedade tipicamente mais estratificada e que o reconhecimento da existência do carisma do líder, por dos participantes que eram proprietários de empresas familiares, ficou bem mais abaixo (28,1%).

Região
Américas
Ásia-Pacífico
Europa MEA
35,6%
41,5%
33,1%


 “Em teoria, uma empresa familiar e uma não familiar devem ser ambas geridas por profissionais competentes. A única diferença é que existe um rosto” (Alexandre Soares dos Santos, Tradição do Futuro, nº 27). Com esta frase, este líder incontestado do grupo Jerónimo Martins,por várias dezenas de anos, oferece uma das melhores definições e diferencial da empresa familiar: a existência de um líder que todos os stakeholders (re)conhecem. Quando se falava do sistema financeiro português, existia um nome de família e de grupo empresarial que são indissociáveis e globalmente reconhecidos: Espírito Santo. Neste caso estávamos perante vários ramos familiares, com origem no fundador do grupo, unidos pelo mesmo nome e com referência a um rosto que tinha, até então, sido o da pessoa que liderava o banco.
Um caso paradigmático é o do grupo empresarial bracarense Casais. Tendo origem no Mestre José Casais, pai do grande impulsionador da empresa de construção - Mestre António Casais, este aglomerado de empresas é atualmente liderado pela 3ª geração, todos com o apelido de família “Fernandes”, pois “Casais” é simplesmente a “alcunha”, referenciada em vários registos, da trisavó de António Fernandes da Silva.

Temas para reflexão:

  • Quais as características que diferenciam o líder da empresa?
  • O seu perfil reflete os valores da empresa?
  • Como se está a preparar o próximo líder?


António Nogueira da Costa

8 de agosto de 2015

Ética na liderança

Acredito que a ética é um dos fatores que contribui decisivamente para qualificar um líder enquanto tal. Entenda-se por líder aquele que cria seguidores… e não os poderosos que “conquistam” submissos (por via de compensações ou de punições). Extrapolando, poderíamos mencionar Mahatma Gandhi, Nelson Mandela ou até Jesus Cristo mas, para a nossa realidade mais próxima, escusamos de ir tão longe.

É fácil olharmos à nossa volta e percebermos quem de facto lidera genuinamente, por oposição a «quem manda». E, observando de perto, percebemos que estes líderes mantêm uma conduta de atuação relativamente constante, que reconhecemos como fazendo parte integrante e natural dessa pessoa. Podemos até tornarmo-nos seguidores mesmo não concordando com determinados aspetos, mas um reconhecimento é consensual: o seu caráter.

Importa recordar que - apesar de tudo - a ética é pessoal/individual (ou, como diz o outro, «cada um tem a sua»!), ao contrário da moral que é coletiva. Contudo, nós seguimos aquele que tem personalidade, o que tem carisma… e não o voluntarioso e consensual. Claro que nos temos que identificar com os valores principais do líder, pois são estes valores que vão justificar as suas ações (intencionais ou por omissão), ações essas que os seguidores irão defender.

Outro fator a ter em conta é a sustentabilidade da condição de líder, isto é, se não nos mantivermos consistentes nos princípios básicos pelos quais nos regemos (pela nossa própria ética), perdemos credibilidade e fatalmente perderemos também a nossa qualidade de líder (os tais que criam seguidores). Isto não significa de todo que a nossa ética seja única e imutável no tempo e independentemente das circunstâncias que nos rodeiam. Se assim fosse estaríamos a ser ingénuos e com um prazo de validade tendencialmente muito curto enquanto líderes. Mas, acima de tudo, estaríamos a desperdiçar um valor inestimável que é a aprendizagem ao longo da vida… mas deixaremos este tema para uma futura oportunidade.

Em suma, quando falamos de ética na liderança estamos a referirmo-nos à reputação do líder, à sua integridade, a qual resultará no modo como este será visto junto daqueles a quem exerce a sua influência. Há um par de anos perguntaram a Paulo Azevedo (Sonae) «Como se consegue a cadeira que ocupa?», tendo ele respondido: «Foi cara e paguei-a eu, que tinha vergonha de apresentar a conta à Sonae»!

Luís Luz

2 de agosto de 2015

Arquivo vivo | Ai a minha vida... stressante

Agosto é tradicionalmente o mês de repouso, quando procuramos mudar as nossas rotinas e "destressar" das nossas preocupações habituais.

Mas, esta pausa, deve também ser aproveitada como momento de reflexão: devemos refletir acerca do percurso efetuado desde o início do ano, para alicerçar melhor a preparação do próximo ano que deveremos comerçar a efetuar nos próximos meses. Isto é, olhar criticamente a realidade atual, para reenquadrar os futuros passos à luz dos nossos valores e objetivos.

«Vale a pena… pensar nisto.
Aliás, nos dias que correm todos nós já começamos a assimilar com bastante naturalidade que não existem empregos para toda a vida. Esta parece ser a grande ameaça das vidas profissionais e até das pessoais. As pessoas tendem a sentir-se inseguras porque a cada momento podem perder a estabilidade do emprego que têm.
Ora bem, tome-se em conta dois pensamentos:
1. para cada ameaça existe uma oportunidade. Sendo a ameaça o facto de uma pessoa já não ter emprego para toda a vida e pode ser forçada a mudar, a oportunidade é estar preparado. As pessoas devem estar sempre preparadas para mudar e essa preparação vem de muita formação e muita atenção ao que nos rodeia. Outras empresas e outras funções. Quero dizer, não se acomodem na função, quer em conhecimento quer em informação.
2. as mudanças existem e temos que viver com elas. As pessoas, normalmente, não querem as mudanças porque trazem incerteza mas, não há volta a dar. Tem de ser. Para gerir bem as mudanças eventuais, o que aconselho para que não se stress é posicionar-se bem. Posicionar-se é assumir um de dois papéis: ou no comando ou ir a reboque. Proponho seriamente que se opte por ir sempre na linha da frente. Se há que mudar então que seja com um contributo activo. Que sejamos nós a influenciar a mudança. Não deixar que os outros as provoquem e nos condicionem. Ir a reboque é estar sujeito ao que os outros fazem. É muito mais incerto e...a incerteza stressa.»

Vale a pena (re)ler o texto original: clique aqui.

Luís Luz

19 de julho de 2015

As pessoas certas, no lugar certo… e no tempo certo!

A escolha das pessoas certas (ou do perfil certo das pessoas) é uma das preocupações principais de um líder empresarial, na medida em que é da composição dos elementos da sua equipa que vai depender o potencial de valorização de um negócio… ou, pelo menos, da parte que é controlável internamente pela organização.
 
Outro aspeto fundamental a verificar-se é a colocação dessas pessoas certas nos respetivos lugares certos. Esta afirmação pode parecer demasiado óbvia, contudo nem sempre é isso que constatamos nas realidades empresariais: é “normal” ver-se um bom vendedor a ser promovido a chefe de vendas, posição na qual possa já não estar tão à-vontade; é “natural” premiar-se um ágil colaborador no mercado nacional para explorar novas operações internacionais, contextos nos quais poderá não se adaptar; é “costume” um recém-licenciado assumir um cargo de Administrador pelo simples motivo de ser familiar do principal acionista, mesmo não detendo as competências necessárias que tais responsabilidades exigem. Há muitos casos onde este tipo de evoluções são meritórias e dão bons frutos, mas outras que se revelam verdadeiros calvários… até para aqueles que foram - supostamente - promovidos!

Mas há um terceiro fator crucial para o resultado: o tempo (a época, a conjuntura). Isto porque podemos até ter as pessoas certas (com as melhores competências), no lugares/cargos certos, mas não para lá estarem num determinado período pelo qual a empresa atravessa. Teoricamente, elas podem ser as pessoas que mais conhecimento e experiência transportam mas, na prática, outras pessoas conseguirem lidar melhor com o contexto particular que se está a atravessar e, desta forma, mobilizarem de modo mais eficaz os recursos. Por vezes, as mudanças de realidade implicam mudança de protagonistas, sugerindo que aqueles que pressupomos como mais capazes possam não ser as figuras certas num dado período temporal. Pode ser porque estes transportem consigo uma “herança” do passado, ou pode até não ser possível encontrar um racional e simplesmente sabermos serem necessárias mudanças para que os resultados surjam. São admiráveis os vários casos de sucesso que se veem com a aposta em responsáveis que advêm de outras realidades, de outros setores, e que por isso são por vezes vistos como menos capazes mas que, contudo, são quem melhor consegue implementar um turnaround e energizar as equipas, mobilizando-as para uma nova etapa na vida da empresa; estes, transportam outras experiências e, acima de tudo, questionam o status quo de quem está num setor há muito tempo, podendo funcionar como verdadeiras “lufadas de ar fresco” em toda a dinâmica empresarial.

Certas decisões implicam riscos elevados, sobretudo quando as suas fundamentações possam ser um pouco subjetivas. Mas, se tem a confiança de que é o melhor para o negócio, avance. Mais tarde poderá não poder fazer mais do que... lamentar-se.


Luís Luz

12 de julho de 2015

Vou liderar uma equipa! | Sara Magalhães

- "Amigos, acabei de ser promovido! Vou liderar uma equipa!"
- "Eia grande novidade! Parabéns! Isso é que é subir! Vais mandar, poder fazer as coisas à tua maneira, ganhar mais e ter uma boa vida!"

Quem já não ouviu isto?
Estas frases feitas tantas vezes repetidas, após a almejada promoção na hierarquia.

E depois?
Depois vem o trabalho. O dia-a-dia. 
A luta constante pelos resultados, pela coesão de uma equipa em torno de uma visão, a gestão de conflitos, a mobilização de recursos sempre escassos, a corrida pela eficiência sem perder a qualidade....
E a gestão de tempo. Esse tempo que parece sempre pouco. Para gerir e ouvir todas as pessoas, para produzir relatórios, para reunir com trabalhadores, diretores, fornecedores...

E aí surge uma revelação!
Afinal como líder não mando mais... não faço sempre as coisas à minha maneira... posso ganhar mais mas possivelmente trabalho muito mais horas... mais preocupações... nas reuniões nunca posso só assistir, sou o "artista de serviço" que gere o momento, mantendo o animo na análise dos assuntos, como moderador nos debates mais acalorados, e promovendo a objetividade nas divagações que teimam em surgir.
E no final concluo... ser líder é acima de tudo Servir. Uma equipa, a organização, o cliente...

Pode ser diferente? Pode. Mas aí sou um chefe, daqueles que surgem e desaparecem e não deixam saudades...

Se mesmo assim vale a pena? Vale.
Saber Servir, qualquer que seja a hierarquia, em casa, no trabalho, com amigos... dá muito trabalho, mas permite  fazer a diferença todos os dias.
Inspirar pessoas a superam-se, sem medo que também elas queiram servir ao nosso lado ou até numa posição acima de nós.
Promover uma cultura de entrega, disponibilidade e compromisso movida pela paixão das ideias.
E no fim poder deixar um legado.
O melhor de todos...
O legado em que alguém nos diz: hoje sou melhor porque TU estiveste aqui!


5 de julho de 2015

Arquivo vivo | 2011, o País e Nós

Este texto foi redigido em 2011 na ótica do país "Portugal e do nós "portugueses". O seu conteúdo mantém-se perfeitamente atual, se bem que - se fosse hoje - bem que se poderia intitular «2015, a Grécia e os Gregos», fosse essa a nossa nacionalidade...

«Como ser humano e profissional, poderia tentar levar a vida o melhor possível, ganhar o mais possível, dar à família o mais possível, gozar a vida o mais possível, viajar o mais possível, procurar os melhores empregos possíveis, enfim, poderia dar-me o que mais me satisfizesse. Todo o possível. Pelo menos tentar.
Não tomo essa decisão. Não é essa decisão. Essa decisão apenas contribui para o meu futuro. É um contributo limitado.
O que me tem fascinado é a tomada de consciência que podemos contribuir muito para além do que é o nosso amanhã. Podemos contribuir para o amanhã das pessoas que nos rodeiam. Das pessoas das organizações em que estamos. Das organizações dos clientes, dos fornecedores. Das instituições que vamos cruzando, seja por razões religiosas, seja pela educação dos filhos. Seja pelo que seja. Vamo-nos cruzando com os outros e vamos fazendo a diferença, acrescentando algo ao momento.
Em cada dia que vamos vivendo sinto que cada momento é para dar o máximo. Dar com foco nos outros. Dar com o foco em acrescentar algum valor.»

Vale a pena (re)ler o texto original: clique aqui.

Luís Luz

28 de junho de 2015

Pensar em grande

Há dias li uma entrevista num jornal económico em que Bradley Sugars - empresário australiano de sucesso, com negócios presentes em Portugal - dizia que «os portugueses são muito bons empreendedores, mas não pensam grande o suficiente».

De facto, são por demais evidentes as nossas capacidades potenciais, contudo não as aplicamos na sua plenitude, mas tão somente na medida em nos sentimos satisfeitos com os resultados alcançados. É típico ouvirmos desabafos como «estamos tão bem assim, porque nos devemos preocupar em querer mais?» Não discuto a questão ao nível pessoal, pois cada um terá o seu modelo de felicidade. Mas, empresarialmente, o caso muda de figura: o mundo dos negócios evolui a uma velocidade estonteante e a nível global, pelo que um modelo de sucesso é-o sempre a prazo. Nuns negócios este prazo poderá ser mais longo, noutros mais curtos, mas se não imprimirmos uma cultura de evolução/inovação e crescimento, um dia vamos ficar para trás…. quiçá de forma irrecuperável.

A prova de que o empresário australiano está absolutamente certo verificou-se no decurso da crise da última meia dúzia de anos, em que muitos empresários reinventaram os seus negócios, empreenderam fora de portas com relativo sucesso. Fizeram-no já numa fase em que os recursos se estavam a desmoronar… Como teria sido caso tivessem pensado em grande antes deste período turbulento, tendo conquistado novos mercados com recursos competentes e “musculados”?

O entrevistador começou por observar que o empresário «costuma dizer “learn before you earn” (“aprenda antes de ganhar”) – parece um conceito tão simples, no entanto, a maioria das pessoas quer ir logo para a parte do “ganhar”»… So true!

Não inverta a ordem natural das coisas e pense em grande: cuide primeiro do seu negócio, que ele depois cuidará de si!


Luís Luz

14 de junho de 2015

Arquivo vivo | Liderança sem diploma, o blogue

Porque há textos que merecem ser (re)lidos, porque há reflexões que são perfeitamente atuais e oportunas, criamos neste blog a secção «Arquivo vivo». Por oposição ao popular "arquivo morto", aqui são repescados os assuntos que continuam «vivinhos da Silva».

Para esta primeira recordação, nada como recuperar o primeiro de todos os textos, no qual é explicado o porquê da existência deste blog, intitulado Liderança Sem Diploma...

«Liderar sem diploma que é o mesmo que dizer, liderar sem uma equipa, sem um cargo específico.
Liderar não é uma questão física, isto é, não pressupõe forçosamente uma acção sobre pessoas, com uma equipa.
Pelo menos eu entendo que se pode e deve ir mais longe. Qualquer pessoa, desde que tome essa decisão, pode liderar. Desde que tome a decisão de ser uma referência, no seu comportamento e na sua atitude, diariamente no contacto com os outros.
Aliás, era isso que nos era incutido pelos nossos pais e professores desde os tempos da primária. Sermos exemplares no que fazemos, seja de importância capital seja de mero relacionamento.
Se estamos numa organização, podemos influenciar os colegas em melhorias de comportamento e decisão. Se estamos em ambientes informais, os que se cruzam connosco podem sentir a força da nossa atitude.
A vida que cada um tem é um poder atribuído desde cedo e que merece a melhor das lideranças. Liderar a construção do percurso da nossa vida é aceitar a responsabilidade de exercer o poder. O poder de sermos nós mesmos.
E nós mesmos como? Como boas pessoas e bons profissionais.»

Vale a pena (re)ler o texto original: clique aqui.

Luís Luz

31 de maio de 2015

Ora agora mando eu!

Perdão: ora agora lidero eu!


Desafiado pelo José Miguel para liderar a retoma deste blog que criou há 4 anos - e após um período de stand by de 12 meses - a resposta só poderia ser positiva e será nesta nova fase editado por ambos. Para além de gostar de não recusar um bom desafio e da amizade pelo criador de «Liderança Sem Diploma», vejo este desafio como uma oportunidade para poder dar o meu contributo para a manutenção deste valioso legado.


Valioso porque pretende tocar as almas, despertar consciências, reequacionar pontos de vista… e levar-nos a agir em conformidade. A vida não é uma “fatalidade” e a vida em comunidade (seja no universo familiar, profissional, numa nação, etc…) é sempre também o resultado de ações individuais. Como parte integrante de um coletivo, a nossa participação deve fazer sentido e contribuir para a sua valorização contínua. Hoje e amanhã devemos sentirmo-nos confortáveis com as nossas atitudes, aprendendo com elas e desfrutando ao conseguirmos animar aqueles que nos rodeiam.


Conforme referi no início, este blog foi lançado há 4 anos, contudo a sua pertinência e atualidade parecem cada vez maiores. Vivemos numa sucessão crescente de acontecimentos, desde as nossas relações diretas às que se passam “no outro lado do mundo”, em cujas lideranças são determinantes para os respetivos desfechos. Mas estes dependem tanto dos líderes quanto dos liderados, quer pelas suas ações ou omissões.


Bom: o entusiasmo é grande, assim como a ambição de poder “contagiar” um número crescente de pessoas a participarem, seja como meros leitores, expressando as suas opiniões, partilhando os textos com os quais se identificam ou até, porque não, contribuírem com os seus artigos: estão todos convidados!


Sejamos líderes!


Luís Luz

10 de maio de 2014

Just a moment, please!

Obrigado por todos os momentos nestes 40 meses.
Até breve, até à saudade, até à criatividade e que o espírito de liderança nos acompanhe.


José Miguel

20 de abril de 2014

Atenção empresas - aviso à navegação

Atenção!
Atenção a todos os que têm responsabilidades no futuro da gestão das empresas. É curioso como em plena crise as empresas ainda têm incompetentes e inábeis na liderança das empresas. Eu não sei porque ocupam lugares de tamanha responsabilidade quando não fazem a mais pequena ideia do que é gerir uma empresa.
Nessas empresas existem 100, 200, 400 ou mais vidas familiares e essas pessoas, apesar de se sentirem responsáveis por estar no topo, são autênticos inconscientes. Ocupam lugares sem formação e preparação para tal.
É como andar de carro sem carta ou pegar numa moto sem conhecer a problemática das duas rodas.

Não me refiro apenas a cargos de topo mas a todos os quadros de gestão, quer sejam de topo quer sejam chefias intermédias.

É fantástica a falta de coragem ou talvez seja apenas uma questão de bom senso. Digo bom senso porque pode ser o que esteja a faltar a estas pessoas para mudarem as chefias e colocarem lá “quem sabe ao que vai”.
Essas pessoas, líderes impreparados para o futuro, são os sortudos de outros tempos em que a função lhes caiu no regaço. Não caíram na cadeira do poder mas antes pelo contrário, a cadeira meteu-se-lhes por baixo.
E agora não saem de lá. Se eles não se tiram a si mesmo do lugar, quem os tirará?
Talvez um dia pela queda da empresa.
Quando as coisas se complicarem a sério, eles terão de se libertar da empresa dizendo – é a crise, foi a crise.
Pode ser a crise mas também é a incapacidade para prever e atuar e envolver todos numa estratégia que contorne os obstáculos.
É que gerir em tempo de vacas gordas…foi fácil. Agora os métodos são outros e os níveis de determinação têm de ser extremamente ousados.

O bom senso é imperioso para que saibamos quando temos de deixar um lugar ou uma função. Há coisas que não nos dizem para fazermos pelo que temos de ser nós mesmos a decidir em causa própria.

O bom senso é uma característica que não valorizamos em suficiência mas que nos pode salvar do “Princípio de Peter”.

José Marques Mendes

31 de março de 2014

Aos "Impossíveis", o meu obrigado

Obrigado.
Obrigado a todos aqueles que me têm tornado a vida impossível porque são pessoas difíceis, de temperamento anormal, de carácter nubloso, enfim, são criaturas que definimos como “pessoas impossíveis”.

Todos nós já nos referimos a alguém dizendo – este tipo é impossível.
É isso mesmo. São pessoas de relacionamento impossível e que fazem a vida dos outros um inferno. Tornam a vida de alguém impossível de seguir o seu rumo ou seja, é-se obrigado a concluir que o caminho que se leva não tem resolução. Há que mudar.
A vida impossível de alguém é como na matemática ter uma equação sem solução, uma equação impossível. Chegados a este ponto, vida impossível, há que mudar de rumo e seguir outro caminho.

Foi o que fiz algumas vezes na vida, aí umas 3 ou 4 vezes, em que tive de tomar decisões muito, muito sérias. Algumas pessoas, pessoas impossíveis de aturar, provocaram em mim um sentimento de mudança e, consequentemente, a minha própria mudança.
Tenho que lhes agradecer porque foram os grandes impulsionadores da minha vida. Eu não teria sido nada sem eles. Apesar de o dizer com alguma ironia, em boa verdade e porque tenho já alguns anos de reflexão, posso afirmar com toda a profundidade que estas pessoas, ao serem "impossíveis" para mim, foram grandes marcos da minha mudança.

Por este motivo lhes dedico este texto e, já mentalizado digo, se um dia me cruzar com eles na rua, não deixarei de os cumprimentar e se for oportuno, direi: agradecido por me terem criado "um momento impossível".

José Marques Mendes

16 de março de 2014

Um Tributo aos Serenos

Às vezes penso que o que está certo é ser-se acelerado, stressado, sempre à procura de desafios e novos rumos.
Parece que é o que está certo porque a vida tem muitas oportunidades e a informação é tanta que nos acelera imenso.
Parece que é com elevada dinâmica que devemos avançar porque assim lideramos as corridas diárias, ganhamos aos adversários profissionais e garantimos um lugar na frente, seja o que isso for e para o que for.
Parece que assim é que é porque no mesmo espaço de tempo fazem-se mais coisas e é fundamental fazerem-se muitas coisas.

Entende-se que a vida é curta e há que ser-se muito intenso.

Parece que é mas...também pode não ser. O certo está em cada um, na sua personalidade, motivação e desempenho. Nas corridas desportivas, uns ganham acelerando sem pensar e outros ganham pensando em como acelerar.

Quando promovo que se fale de liderança e que esta está ao alcance de qualquer um, estou a querer tornar evidente que pessoas calmas, tranquilas e serenas são igualmente grandes líderes.
Podem sê-lo por muitas razões mas, quanto mais não seja porque tomaram a decisão de ser assim, assumiram-se assim porque se conhecem assim.

Aos serenos, os meus parabéns pela honestidade como se aceitam. Parabéns pela organização do seu dia-a-dia. Parabéns pelas rotinas que definem. Parabéns pela consistência e competência.

José Marques Mendes

25 de fevereiro de 2014

À deriva

Não é nada bom andarmos à deriva. Não saber o que valemos, para que servimos, o que podemos fazer, quem nos valoriza, que pessoa de sucesso seremos. São dúvidas que podem originar crises existenciais, depressões e maus desempenhos.

Nas empresas é elementar o pensamento estratégico, momento para refletir e conseguir responder às questões:
-Somos bons em quê?
-Somos reconhecidos como?
-Onde queremos estar dentro de 3 a 5anos?
Se estas questões são vitais para a tomada de consciência da empresa, porquê que as pessoas, individualmente, não fazem a mesma reflexão estratégica?

As pessoas tiram cursos superiores mas não estão a conseguir definir caminho. Preparam-se em competências base mas depois acabam a ganhar experiência noutra coisa qualquer. Levam a vida ao sabor das circunstâncias e, apesar das dificuldades de mercado que podem limitar as opções durante uns anos, há que ter muito presente que a vida é mais que "uns anos".
Todos vemos pessoas à deriva, estejam elas nos "quarentas" ou nos "cinquentas".
Estrategicamente, falando de futuro portanto, estão perdidas e já não sabem o que valerão. Operacionalmente, falando de presente portanto, estão sem dinheiro e dispostas a fazer qualquer coisa.

Não esperem que a vida venha ter convosco. Não procurem emprego pelo emprego. Quem tem potencial para definir caminho que não caia na tentação de fazer um caminho qualquer. Sei que Portugal está mal mas a vida é um mundo.
A vida deve ser arquitectada como uma obra pensada pois ninguém se lança a fazer uma casa colocando tijolo após tijolo a ver no que dá. Isso é infantilidade dos tempos do Lego. Constrói-se tijolo a tijolo, dia após dia, é verdade, mas com uma intenção definida e com resposta à pergunta:
- Quero construir o quê com este dia-a-dia?

A vida tem de ser arquitectada e decidida quanto a suportes, valores e objetivos. Só assim se encontra o que se quer porque se sabe para onde ir. Não se deixem perder. Não deixem que a crise nacional global crie crises individuais, existenciais e depressivas.
 
Estas palavras são de apoio a todos aqueles que estão a sentir algum descontrolo e que me têm sensibilizado muito. Porque oiço e vejo, o meu coração sente os efeitos colaterais emocionais da crise.
José Miguel Marques Mendes

8 de fevereiro de 2014

A vida é difícil

A vida é difícil.Confesso que gosto desta expressão e quando pretendo transmitir uma ideia, logo me vem esta frase à cabeça.
Parece que tudo fica mais fácil se considerarmos que a vida é difícil. Sinto que se assumir que a vida é difícil então tudo tende a ser melhor. É uma questão de relativização.
 
É tão verdade que gosto da expressão como é verdade que não a considero assim de difícil.
A expressão é algo que me consola mas, em boa verdade, não a considero a vida tão difícil assim. Creio mesmo que, por vezes, eu é que a torno difícil.
Não a complico mas elimino passos essenciais. Vejo para além do óbvio. Interpreto à minha maneira. Sinto para além sensação. Exijo-me mais. Quero mais. Desejo mais.
Com esta atitude, tudo em meu redor fica mais tenso, ilógico logo, mais difícil.
 
Entendo que a vida que me foi dada é uma oportunidade tremenda. Acima de tudo porque com ela veio a consciência e a mente. Veio a capacidade de decidirmos o que queremos fazer com os anos, com os dias que se sucedem.

Ao longo destes anos tenho investido em mim de uma forma incansável.
Até aos 15 anos, investi na inconsciência. Aprendi sem saber o que estava a suceder.
Até aos 20, investi nas asneiras. Nas parvoíces apesar de não me ter como parvo.
Depois e até hoje, tenho investido nos riscos, consciente que tenho de correr riscos e que me arrisco a ser alguém. Arrisco-me a ser um tipo útil.

Que enorme investimento em mim tenho feito ao longo de 46anos.
É por isso que a oportunidade que me foi dada em ter uma mente sã num corpo são, não é desperdiçada um único dia.
Aproveito cada momento para ser mais forte e fazer mais forte os que me rodeiam.
Momento após momento vou desempenhando a minha missão: fazer algo de jeito na vida para que a minha motivação faça sentido.
 
Se a vida fosse fácil não merecia o nosso respeito.
A vida é difícil? É e por isso tem muito valor.
 
José Marques Mendes

25 de janeiro de 2014

Tristeza e Valentia

...oops, that's life!
A vida não é perfeita e por isso sucedem-se momentos de enorme tristeza.

As pessoas perdem parentes próximos em circunstâncias inesperadas, perdem empregos quando precisam de dinheiro para o equilíbrio familiar, ouvem críticas ao seu comportamento sem que tenham feito nada de errado, são constituídas arguidas de casos que não lhe dizem respeito.

Quando as pessoas cometem erros e são alvo de pressão por esses mesmos feitos, há um incómodo enorme, um desconforto diário, uma tristeza e até uma vergonha mas, em consciência, a pessoa sabe que algo de errado fez. A sua consciência sobre o mal feito ajuda a aceitar o negativismo que a rodeia. Fica-se perturbado consigo mesmo e isso faz sentido e é aceitável. Se erramos, sabemos que erramos e isso vai ajudando a uma mentalização para o sofrimento.

Há portanto, tristeza que se justifica e tristeza que não se aceita porém, a tristeza afeta o comportamento humano. De uma ou de outra maneira, a tristeza marca o dia-a-dia e condiciona a atuação da pessoa.
É por isso que a estas palavras associo valentia. A valentia de quem assume que vai ultrapassar esse “vale de morte emocional”.

Em liderança há que estar preparado para momentos de profunda tristeza, independentemente dos fundamentos, para poder seguir em frente de cabeça levantada. Não se trata de seguir em frente de cabeça levantada só para que os demais vejam a “força” da pessoa mas sim, muito importante, porque a pessoa tem mesmo essa força interna.

A vida de cada um tem de ter em si mesmo um líder que se exceda em valentia para ultrapassar os momentos de tristeza que estão sempre a aparecer. Sempre.

Em liderança, a tristeza tem um espaço reservado ao lado da valentia.

José Marques Mendes