Em conversa com um amigo, de baptismo Jorge, companheiro e Amigo de vinte anos de almoços, com desabafos e alguns bafos (de fresco ar), comentava-lhe uma lição que me tinha sido transmitida pelo meu avô Anselmo.
Ainda o inverno, rigoroso, não tinha acabado e uma grande extensão de um muro numa das propriedades tinha desabado. Grande labuta de homens e máquinas se avizinhava, meu avô, quadro dos Caminhos de Ferro no tempo em que o carvão fazia locomoção, com sua estimada boina de tipo Galego, posicionava-se na liderança de tamanha empreitada.
Eu, miúdo de uns treze anos e em férias de carnaval, acompanhava toda aquela agitação e me mantinha em estado eufórico, pensando que era parte da liderança.
Vai que não vai irrompo com uma pergunta:
- Avô, o muro caiu por causa da chuva não foi?
- Na verdade, meu neto, não. O problema foi mesmo daquela planta trepadeira, é uma era. Sabes, este tipo de planta desenvolve-se e entranha-se pelos muros, mas temos que ter muito cuidado como seu crescimento e na verdade eu cometi um erro.
Continuando,
- Sabes qual é um dos principais inimigos dos mergulhadores?
- Eu, na minha tenra ingenuidade digo: é a falta de ar!
- Sim, mas não só! Existe um molusco marinho, que já ouviste falar, o polvo, para além de ser muito curioso é detentor de poderosos tentáculos que vão aumentando a sua força conforme vão crescendo. Dai os mergulhadores andarem sempre com uma faca para os matar quando são atacados. Ora, a Era é exactamente igual. Se não a cortarmos pela raiz ela um dia fica tão forte que acaba por deitar os muros abaixo. Daí eu te ter dito que a culpa foi minha. E um dia, quando fores grande, vais ver que na vida existem obstáculos que se nos deparam que, tal como a Era e o Polvo, devemos ter cuidado.
Hoje, reconheço que na vida, tal como nas empresas, um líder deve estar atento a tudo o que o rodeia e deve aniquilar todos os “polvos” que se aproximam pois são esses mesmos que se preparam para nos “aniquilar”.
Pseudónimo à memória de meu tio
Adriano Campelo



















