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blogue editado por José Marques Mendes e Luís Luz

8 de fevereiro de 2011

Francisco Campilho - Liderar é uma arte?

 "Liderar é uma arte" foi o primeiro livro que li sobre o tema da liderança, ainda no início dos anos 90. Um livro magnífico, diga-se em abono da verdade, da autoria de Max du Pree.

Mas, será que liderar é mesmo uma arte, no sentido estético que em geral se atribui às artes?
Max du Pree responde a esta questão com uma frase que considero notável:
"A arte da liderança consiste em libertar as pessoas para fazerem o que se lhes pede da maneira mais eficiente e humana possível. Assim, o líder é um servidor."

Liderança é uma capacidade que pressupõe, antes de mais, de quem a exerce, o reconhecimento pelos outros. Um líder é alguém que reúne um conjunto de atributos que lhe permitem mobilizar à sua volta toda a organização em que está inserido, em todo e a qualquer momento. Um líder deve ser inspirador, apoiando e valorizando as pessoas. Reconhecendo o mérito individual e colectivo. Respeitando as diferenças.
Um líder deve ser um factor de estabilização num mundo em turbulência, cada vez mais complexo e incerto. Com coragem para dizer a verdade. Assumindo a responsabilidade.

Liderar é também a capacidade de negociar permanentemente, inspirando confiança, desafiando a organização e estando disponível para aceitar desafios. Ousando. Dando o exemplo. Exige esforço e determinação.Um líder deve estar disponível para ouvir, para responder e para perguntar, atendendo e entendendo as especificidades individuais.
É, neste sentido, um servidor. Da comunidade que se congrega à sua volta e que deve transformar, permanentemente, numa equipa em que todos têm um papel a desempenhar.
Deve saber lidar tão bem com o sucesso como com o insucesso.
De todos e de cada um. Da equipa de que faz parte.

Como dizia Peter Drucker:"O líder do passado era uma Pessoa que sabia dizer. O líder do futuro é uma Pessoa que sabe perguntar". 
Saber perguntar e saber ouvir, não serão certamente as únicas, mas são características bem distintivas das lideranças bem sucedidas.

Se há alguma coisa que a vida me tem ensinado é isso mesmo.
Liderar é mesmo uma arte. Que muitos tentam, mas só alguns conseguem.

Francisco Campilho

7 de fevereiro de 2011

Joaquim Romão - Ser capaz de decidir


Pediram-me para opinar sobre a participação no programa Erasmus de uma jovem aluna de Economia. A questão colocava-se na decisão entre prosseguir a vida académica em terras Lusas, seguindo tranquilamente o seu percurso para o Mestrado, ou partir para um país de leste, no caso a Polónia, ainda durante a Licenciatura e criar uma nova variável na extraordinária vida de estudante.
 A questão era sensível, merecendo uma resposta que oriente mas sem influenciar na decisão final.

Existem questões familiares que se misturam com as estudantis. Ainda mais por sermos genuinamente portugueses e estas coisas da família, culturalmente, estão muito enraizadas na nossa personalidade sendo, de certa forma, sempre muito conservadoras. Para os americanos, por exemplo, este tipo de situação é mais fácil de resolver. Os papás soltam os "passarinhos" ainda em tenra idade. Mas isso é outro assunto.
Vamos colocar sobre os pratos da balança os prós e os contras que a jovem tinha de enfrentar. Por um lado uma nova experiência, fascinante por ter surgido de um convite direccionado a um grupo restrito de alunos, tentadora pela oportunidade de tão cedo fazer algo diferente.
Mas o outro lado da moeda tem um peso terrível. Abandonar a família, a incerteza do futuro próximo num país desconhecido com barreiras culturais e linguísticas para derrubar. Tudo a somar ao enorme desafio que é terminar um curso de formação superior.
 Aqui começa o encanto desta situação. A primeira grande decisão. Melhor ainda, um desafio à capacidade de decidir.
Como fazer?
Não arriscar e continuar o percurso académico, completando seguramente o Mestrado sem grande percalço e até, possivelmente, com uma boa média final.
Em opção, fazer algo diferente e enriquecer a vida académica com uma experiência de vida.

Que impacto pode ter a segunda opção no futuro profissional? O que poderá modificar na sua visão das coisas quando a perspectiva aumenta e, como consequência, mostra o quanto pequena é a realidade do país em que vive? E a capacidade de resiliência que fica por conseguir enfrentar adversidades desde cedo. Não será tudo mais fácil e natural no futuro?Bom, da primeira opção já nós sabemos.
Acontece a quase todos e não tem mal nenhum. Muitos dos excelentes profissionais que por aí andam tiveram um percurso académico perfeitamente normal.
Não tenho a pretensão de dizer qual das opções está mais correcta. O que julgo ser realmente importante é que, desde cedo, se seja capaz de decidir e planear o que queremos para nós e ter a coragem de seguir com o plano.
Ter a capacidade para Liderar o nosso destino.
Isso sim, marcará certamente o profissional, a mulher ou o homem que seremos.
Joaquim Romão

4 de fevereiro de 2011

Bati no fundo

Já bati no fundo. Pior não posso estar. Quantos de nós já se colocou na presença destas constatações?
Parece que não há pior, mas há. Acreditem que o dia seguinte pode ser pior que o de hoje.
Ouvi, inúmeras vezes, pessoas reivindicarem para si o estatuto dos mais desgraçados. Não há pior, diziam. Mais adiante, não só não ganharam o estatuto como estavam em pior circunstância. Também vi, nesse momento, que voltavam a referir que tinham chegado ao fundo. Agora era mesmo. Mais há frente comprovou-se que a situação havia piorado.
O que vi nos outros, no seu caminho para a desgraça, foi uma aprendizagem. Aprendi a respeitar a vida e o que ela nos proporciona. Só damos efectivamente valor a uma coisa quando a perdemos. Há o sentimento de que se a temos é como um direito. Não podemos pensar assim. Esse tempo já lá vai e se calhar nunca foi correcto pensar assim, quer para as questões materiais quer para as emocionais e relacionais.
Respeitando a vida na sua plenitude, isto é, nos dinheiros, nas pessoas e nos comportamentos, é fundamental que tenhamos duas orientações estratégicas:
- Valorizar o que temos. Tomar consciência do nível conseguido. Boa. Feel it!!!
- Ambicionar criar. Querer ir a mais. Querer colocar outra pedra sobre a pedra. Great!!!
Há dias, em Lisboa, um taxista falava comigo (quem me conhece sabe que falo com meio mundo) e me dizia:
-Sabe, acordo bem-disposto todos os dias.
Incentivei-o a mais.
-Tenho tudo o que queria. Não devo nada ao banco e realizei os meus sonhos.
Incentivei-o ainda mais.
-Sonhava acabar a casa, lá na terra, fazer duas garagens e comprar um tractor com o meu primo. Consegui tudo e agora vivo a vida com o que ela me dá.
Este homem conseguiu ser feliz porque tinha sonhos a realizar. Seria impossível bater no fundo porque levava a vida no sentido contrário. Num sentido ascendente.
Estou totalmente convencido que os que se sentem no fundo ou que temem ir ao fundo são os que ainda não decidiram para onde ir. Para onde levar a vida. O que fazer com ela.
Em tempos li e guardei carinhosamente uma reflexão sábia:
“Não há vento que sopre a favor quando não se sabe para onde ir.”
José Marques Mendes

3 de fevereiro de 2011

Ai a minha vida...stressante

Porquê que eu decido ir de organização em organização?
A vida é uma estrada. Para mim, uma estrada à moda antiga e com muitas curvas. Há quem já se tenha adaptado às auto-estradas mas eu ainda vou, muito, pelas estradas antigas.
Gosto de conduzir. Quem vai pelas auto-estradas vai a mais velocidade, mais tranquilo e mais seguro mas com menos acção. Eu gosto muito da acção, na estrada e fora dela. Gosto de fazer o meu percurso profissional com a dinâmica das curvas.
Se repararmos, as estradas antigas com mais curvas são mais lentas mas também mais próximas das localidades. Passam por elas. Vêm-se mais pessoas, mais casas, mais vida. É por isso que eu tenho que ir por essas realidades todas. Para descobrir mais pessoas. Eu tenho de fazer mais coisas, por outras pessoas mais. Sei que o faço por mim porque gosto mas, se pelo caminho eu fizer bem a outras pessoas, realizo-me.
Há muitas pessoas que ajudam os outros com esmolas, há quem ajude nas organizações de voluntariado, há quem ajude com donativos e eu, ajudo pela via da minha função. Eu, sendo gestor e construtor de equipas e organizações, procuro ajudar os que se cruzam comigo. É a minha maneira de ser, servindo os accionistas e clientes, servir também as pessoas. As pessoas para mim não são recursos. São também um fim em si mesmo.
Ir pela auto-estrada é ir a pensar no destino. Ir pela estrada mais sinuosa é ir a pensar no caminho.
Vale a pena… pensar nisto.
Aliás, nos dias que correm todos nós já começamos a assimilar com bastante naturalidade que não existem empregos para toda a vida. Esta parece ser a grande ameaça das vidas profissionais e até das pessoais. As pessoas tendem a sentir-se inseguras porque a cada momento podem perder a estabilidade do emprego que têm.
Ora bem, tome-se em conta dois pensamentos:
1. para cada ameaça existe uma oportunidade. Sendo a ameaça o facto de uma pessoa já não ter emprego para toda a vida e pode ser forçada a mudar, a oportunidade é estar preparado. As pessoas devem estar sempre preparadas para mudar e essa preparação vem de muita formação e muita atenção ao que nos rodeia. Outras empresas e outras funções. Quero dizer, não se acomodem na função, quer em conhecimento quer em informação.
2. as mudanças existem e temos que viver com elas. As pessoas, normalmente, não querem as mudanças porque trazem incerteza mas, não há volta a dar. Tem de ser. Para gerir bem as mudanças eventuais, o que aconselho para que não se stress é posicionar-se bem. Posicionar-se é assumir um de dois papéis: ou no comando ou ir a reboque. Proponho seriamente que se opte por ir sempre na linha da frente. Se há que mudar então que seja com um contributo activo. Que sejamos nós a influenciar a mudança. Não deixar que os outros as provoquem e nos condicionem. Ir a reboque é estar sujeito ao que os outros fazem. É muito mais incerto e...a incerteza stressa.
José Marques Mendes

1 de fevereiro de 2011

2011, o País e Nós

Vamos assobiando para o lado? Não podemos.

Será que é daquelas coisa que só acontecem aos outros? Pois não é, não.

O País está um caco. O nosso País.

Ao longo dos últimos meses, enquanto vou ouvindo e lendo sobre a crise, dei comigo a sentir uma forte necessidade de decidir. De tomar uma decisão sobre o futuro. De decidir sobre o meu posicionamento em relação ao futuro.

-Serei um espectador ou um protagonista? Levo ou deixo-me levar?

É verdade que vamos envelhecendo e parece que o futuro é cada vez um espaço temporal mais pequeno. É verdade? Não creio. Só é verdade numa perspectiva egoísta. Egocêntrica. Numa perspectiva de que o futuro é o tempo que iremos viver.
O futuro vai para além de nós. Vai para além do que vamos viver. O futuro é o que iremos viver mas também o que os outros irão viver por nós. Os outros que serão os nossos filhos, os nossos netos, os nossos amigos, …os que ficarão mais tempo. Os outros são todos os que estão condenados a viver porque alguém decidirá que irão nascer. Os outros serão todos aqueles que terão mais futuro para além de nós.
É por isso que hoje me sinto com vontade de tomar uma decisão sobre o meu contributo para o futuro. Não o meu futuro mas sim e apenas, sobre o futuro. A parte do futuro do País que de mim dependerá.
Como ser humano e profissional, poderia tentar levar a vida o melhor possível, ganhar o mais possível, dar à família o mais possível, gozar a vida o mais possível, viajar o mais possível, procurar os melhores empregos possíveis, enfim, poderia dar-me o que mais me satisfizesse. Todo o possível. Pelo menos tentar.
Não tomo essa decisão. Não é essa decisão. Essa decisão apenas contribui para o meu futuro. É um contributo limitado.
O que me tem fascinado é a tomada de consciência que podemos contribuir muito para além do que é o nosso amanhã. Podemos contribuir para o amanhã das pessoas que nos rodeiam. Das pessoas das organizações em que estamos. Das organizações dos clientes, dos fornecedores. Das instituições que vamos cruzando, seja por razões religiosas, seja pela educação dos filhos. Seja pelo que seja. Vamo-nos cruzando com os outros e vamos fazendo a diferença, acrescentando algo ao momento.
Em cada dia que vamos vivendo sinto que cada momento é para dar o máximo. Dar com foco nos outros. Dar com o foco em acrescentar algum valor.
No nosso quotidiano não devemos ser mais um. O país precisa de nós para além do óbvio. Precisa de nós menos passivos. Precisa de nós...permanentemente criativos.
Podemos fazer mais? Acho que podemos fazer mais pelo nosso País.
É difícil? Claro que é difícil.
Somos capazes? Com a informação que temos, com a formação que temos, com os meios que temos, Afonso Henriques, Nun'Álvares Pereira, Vasco da Gama entre outros como tais, pensariam que estamos a brincar com a vida.
Felicidades para 2011. Sejamos mais que nós mesmos. Por onde passemos, deixemos obra.
José Marques Mendes

31 de janeiro de 2011

Liderança sem diploma, o blogue

Porquê um blogue e logo sob o tema, liderar sem diploma?
Ao longo dos anos, várias pessoas me desafiaram a escrever sobre gestão. Desenvolver os casos que vão surgindo na vida de um gestor como uma forma de partilhar conhecimento e experiência. Agora decidi-me. Já está.
Decidi-me porém, com duas nuances: fazer na Net e com o contributo de outras pessoas.
Por um lado, ser na rede virtual dará uma dimensão mais atrevida e, por outro, os meus convidados terão o desafio de surpreender...o internauta. O blogue irá crescendo e os autores variando, numa dinâmica que procurarei que seja, pelo menos curiosa.


Liderar sem diploma que é o mesmo que dizer, liderar sem uma equipa, sem um cargo específico.
Liderar não é uma questão física, isto é, não pressupõe forçosamente uma acção sobre pessoas, com uma equipa.
Pelo menos eu entendo que se pode e deve ir mais longe. Qualquer pessoa, desde que tome essa decisão, pode liderar. Desde que tome a decisão de ser uma referência, no seu comportamento e na sua atitude, diariamente no contacto com os outros.
Aliás, era isso que nos era incutido pelos nossos pais e professores desde os tempos da primária. Sermos exemplares no que fazemos, seja de importância capital seja de mero relacionamento.
Se estamos numa organização, podemos influenciar os colegas em melhorias de comportamento e decisão. Se estamos em ambientes informais, os que se cruzam connosco podem sentir a força da nossa atitude.
A vida que cada um tem é um poder atribuído desde cedo e que merece a melhor das lideranças. Liderar a construção do percurso da nossa vida é aceitar a responsabilidade de exercer o poder. O poder de sermos nós mesmos.
E nós mesmos como? Como boas pessoas e bons profissionais.
Procurarei então, neste espaço, deixar uma série de registos que, através da experiência dos autores, ajudarão ao nosso desenvolvimento. Podem ser reflexões, casos reais, métodos de decisão, alertas, etc, contudo, serão contributos para liderar o nosso dia-a-dia onde quer que se esteja.


Vou ter como desafio editorial a ambição de podermos dizer:
Este blogue dava um programa de formação...em liderança.
José Marques Mendes

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